"A cafeína pode ser considerada uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo. Ainda existe, no meio científico, muita discussão sobre seus potenciais benefícios e riscos para a saúde. Uma substância também utilizada em remédios, a cafeína pode até mesmo atuar de forma terapêutica, quando adequadamente prescrita por um médico.".
A cafeína contém vitaminas ou proteínas?
Não,A cafeína não apresenta nenhum valor nutricional, sendo considerada simplesmente uma bebida estimulante. Como ela provoca uma dependência leve, é comum que as pessoas sofram de dores de cabeça quando retiram subitamente a cafeína de sua dieta, sintoma que desaparece em alguns dias.
A cafeína provoca insônia, ou sono de baixa qualidade?
Esta é uma noção popular, embora não se tenha também quaisquer dados significativos a respeito. O que se sabe é que o estado de alerta buscado na cafeína pode ser obtido através de uma caminhada ou de exercícios, os quais facilitam um bom sono e conseqüente melhor estado de alerta na manhã seguinte.
É muito arriscado ingerir cafeína em estado de estresse?
Igualmente não existem diretrizes para isso. Mas os estudos sugerem que é melhor evitar seus excessos, pois o efeito na pressão sanguínea é suficiente para reduzir os efeitos de medicamentos ou de outras mudanças benéficas no estilo de vida.
As mulheres têm mais sensibilidade à cafeína?
Pesquisadores de Oklahoma constataram que não, que as mulheres têm respostas semelhantes aos homens, embora os mecanismos do aumento de pressão sanguínea tendam a diferir.
Está comprovado que a cafeína faz mal às crianças?
Os estudos não encontraram nenhum indício sobre isto, embora quase todos os médicos recomendem que o ideal é a criança não fazer uso demasiado de café, bebidas com cola ou refrigerantes, bem como chocolates, preferindo a isto frutas e bebidas tipo suco.
O nível de cortisol (hormônio associado ao estresse) aumenta com a ingestão de cafeína?
Estudos mostraram que sim, porém esse aumento está também ligado a situações de estresse e não exclusivamente ao uso de cafeína. Nesses casos, convém também substituir a bebida por sucos.
Existe alguma relação entre a cafeína e o câncer?
Antigamente existia o mito de que a cafeína pudesse ocasionar câncer, principalmente o de pâncreas. Porém, após estudos, descobriu-se que existem outros fatores relacionados ao desenvolvimento de tumores, incluindo o tabagismo. Como já foi mencionado, mesmo não existindo uma relação direta, não se deve abusar da bebida, pois seu excesso pode contribuir com a manifestação de outros tipos de câncer, como os de rins e de fígado.
A osteoporose pode ser desenvolvida pelo consumo de cafeína?
Mais uma boa notícia é que estudos atuais demonstraram que a cafeína não altera a absorção de cálcio, assim como não altera sua eliminação. Porém, é necessário estar atento ao controle da sua ingestão, assim como não esquecer de ingerir leite os seus derivados, para não ocasionar distúrbio de cálcio que pode desenvolver esse tipo de problema.
Existe algum benefício que pode ser atribuído ao consumo de cafeína?
A cafeína possui uma enorme capacidade em aumentar o humor, assim como estimular e aumentar o desenvolvimento físico e mental. Estudos demonstram que os consumidores dessa substância apresentam um melhor bem-estar, maior sensação de alegria, assim como se tornam mais sociáveis.
Colabora também no aumento da concentração, contribuindo com a melhora da capacidade de fazer atividades/tarefas complexas. Pode contribuir também com uma melhora na atenção e na memória.
Para os praticantes de atividades físicas, colabora no aumento da resistência em atividades aeróbicas e anaeróbicas, assim como diminui a percepção da dor e aumenta a capacidade de queimar gordura, em vez de carboidratos.
Dores de Cabeça
Um outro estudo, chefiado por Seymour Diamond, da Diamond Headache Clinic (Clínica para Dor de Cabeça Diamond), em Chicago (Illinois), e publicado na revista Clinical Pharmacology and Therapeutics (Farmacologia Clínica e Terapêutica) envolveu 301 pessoas que sofrem de dor de cabeça com freqüência. A investigação mostrou que uma dose de cafeína também pode ajudar a tratar a cefaléia comum associada à tensão e atingir resultados ainda melhores se combinada com ibuprofeno. Da população pesquisada, 80% dos que tomaram a combinação da droga e da cafeína verificaram que a dor melhorou significativamente em seis horas, comparados a 67% que tomaram somente a droga e 61% que tomaram somente cafeína. Também observaram melhora neste prazo em 56% dos pesquisados que tomaram apenas placebo, substância inócua.
Os pacientes que receberam ibuprofeno associado à cafeína tiveram um alívio da dor quase uma hora antes dos pacientes que tomaram apenas ibuprofeno. Cabe ressaltar que os pacientes pesquisados apresentavam dores de cabeça associadas à tensão conhecidas como cefaléias episódicas por tensão, de 3 a 15 vezes por mês e que pessoas com dor de cabeça crônica devem evitar a cafeína, pois, nestes casos, a substância pode acentuar os sintomas.
De acordo com a pesquisa, a combinação de cafeína e ibuprofeno também pode auxiliar no alívio das cólicas menstruais e certos tipos de dores pós-cirúrgicas. Acredita-se que a cafeína, por ter a propriedade de contrair os vasos sangüíneos, compensa a dilatação dos vasos da cabeça, que causam a dor. Para os especialistas, a cafeína parece potencializar os efeitos analgésicos do ibuprofeno, pois a metade dos pacientes que só tomaram cafeína relataram inicialmente um alívio da dor semelhante aos pacientes no grupo do ibuprofeno ou no grupo da combinação, mas a dor de cabeça voltou logo depois.
Mal de Parkinson
Alguns estudos, no entanto, indicam que a cafeína também pode ser utilizada para controlar uma série de doenças. Entre eles, destacamos a pesquisa realizada por pesquisadores da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, que indica que beber café pode reduzir o risco da doença de Parkinson. O Dr. Demetrius M Maraganore, que coordenou a pesquisa, identificou, com sua equipe, 196 pessoas que desenvolveram a doença entre 1976 e 1995. Os casos foram distribuídos estatisticamente, por idade, sexo e comparados à indivíduos da população em geral, que não desenvolveram a doença.
O artigo, publicado na revista Neurology, aponta que o uso de café foi significativamente mais comum em indivíduos controles do que nos casos que desenvolveram a doença. O motivo para esta associação não é conhecido, e os pesquisadores advertem que este resultado não significa, ainda, que tomar café tem um efeito protetor contra a doença de Parkinson, embora o estudo traga a observação de que há uma tendência de risco progressivamente mais baixo, relacionado ao número de xícaras de café ingeridas por dia. Para completar, os pacientes que tomavam café apresentaram um início mais tardio da doença, quando comparado aos que não tomavam.
Fonte: TI, Coopinhal.
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